Este ensaio busca refletir sobre as faces do ser artista-professor em dança. Como professora de dança da rede estadual de educação de Goiás e recente criadora-intérprete que se coloca a deriva para viver intensamente uma multiplicidade de experiências lanço como perguntas iniciais: como experiências artísticas no âmbito da criação e interpretação influenciam experiências pedagógicas no ensino de dança? Como se apresentam tais fronteiras?
O espelho, a água, o corpo e o espaço são elementos que tenho encontrado em diversas experiências artísticas e pedagógicas. Do Conexão Samambaia, residência artística promovida por Kleber Damaso, professor do curso de Artes Cênicas da EMAC/UFG ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Produção e Poéticas promovido pelo Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte ao curso de Reorientação em Arte/Dança ministrado por mim e pela Professora Lana Costa.
Estes têm sido elementos mágicos que se fundem um no outro, ora produzindo sombras, ora criando poéticas entre o real tridimensional e o imagético espelhado, espaços de embaralhamento e interação de linguagens. Espaços de lugares, não-lugares (Augé, xxxx) e entre-lugares, fronteiras (Renato Ferracini, 20xx) do banheiro espelhado de uma casa branca prestes a ser demolida com suas memórias, conflitos e paradoxos à sala de trabalho disputada e ocupada de tempos em tempos por uma diversidade de interesses.
Experiências artísticas como potencializadores de atitudes internas e externas, artísticas e pedagógicas que se flexibilizam e transformam os modos de olhar e se colocar diante da sociedade. Hélio Fervenza em “Olho Mágico” compreende o “olhar como ponto de passagem: situação limite onde algo acaba, nossa visibilidade, e começa algo invisível, uma visibilidade outra”
Água como lágrimas que aliviam um dilúvio de contradições e preenche a banheira espelhada se misturando a erva doce, anis e leite. Movimentação lenta, troncos e braços espelhados, pés e pernas como cauda deslizante a luz de velas. Corpos visíveis, escondidos no branco líquido e sólido do espaço, transformados em imagem bidimensional espelhada, que num tempo lento rememora, trás a tona, o aconchego uterino, a intimidade perdida de um espaço fragmentado e despedaçado.
Corpos que se encontram num tempo com temperaturas distintas, peles que se tocam, percepção sensível do ter e do não ter um lugar, um nome, uma identidade, uma vida. Fronteira que potencializa, provoca, desestabiliza, cria nova formas de estabilidades.
Movimento espelhado, movimento da água e na água, sons. Fluidez que preenche, sufoca e afoga ao mesmo tempo que conforta, protege e cuida.
Bibliografia
FERVENZA, Héio. Olho mágico. In: NAZARIO, Luiz e FRANCA, Patrícia (org.) Concepções Contemporâneas da Arte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.
AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1994.
FERRACINI, Renato. Fronteiras, Paradoxos e Micropercepções. Site: http://www.renatoferracini.com/home/pos/artigos, dia 22 de junho de 2011 às 18:58.
DAMASO, Kleber. Conexão Samambaia: residências interartísticas. Goiânia: EMAC, 2011. Site: http://conexaosamambaia.wordpress.com/, dia 22 de junho de 2011 às 19h.
Visita a espaços cultuais
Nome: Projeto Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança
Instituição: Curso de dança – FEF/UFG e Festival Diagnóstico da Dança
Período de realização: de 3 a 7 de maio
Oficina: Vídeoprojeções com Celina Potella
Impressões e análise sobre o trabalho: Durante a oficina tivemos a oportunidade de revisitar um panorama do vídeodança com Eduardo Bonito, propositor do projeto dança em foco, destacando categorias e possibilidades de criação em vídeodança. Num segundo momento, Filipe Silva tratou de questões relativas as proposições em vídeodança e vídeoarte destacando temáticas como: tempo, espaço, sexualidade, relação do vídeo com a cena, performance, citando o texto da Eleonora Fabião, discutindo a construção de dispositivos para a produção de vídeodança, decupagem entre outros elementos que ampliam as possibilidades de captação e edição da imagem. Por fim, foi proposto a captação a partir da criação de alguns dispositivo e a experimentação de uma proposta cênica a partir de uma vídeoprojeção. Todas as questões discutidas, bem como as referências propostas foram muito instigadoras de um pensamento artístico que relaciona dança e tecnologia. Tivemos a oportunidade de conhecer diversos trabalhos de vídeo (vídeodança e vídeoarte) relacionando-os a categorias e concepções artísticas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário