terça-feira, 23 de agosto de 2011

um espaço para fazer, experimentar, pensar e aprender a ver. Rosane Vera Wendland



O objetivo desta escrita é explorar algumas considerações acerca da arte, da produção em arte e da relação entre elas, de modo a mostrar a condição interminável desse campo de estudo e investigação. Tomando como horizonte a nossa formação de professores, e, a nossa prática estética dentro de um processo contínuo. Estamos produzindo arte? Como estamos “formando” os outros sem estarmos participando de uma formação e produção pessoal?
                        Arte: Fernanda Moraes -  Pássaro fantástico


Participar do GEP, além de inúmeros questionamentos, pude vivenciar e refletir sobre questões como: O lugar da arte na educação, a relação entre arte e educação, o lugar da arte na vida, o sentido da educação, as implicações entre a vida, a arte e a educação, quem vem antes, quem vem depois, quem depende de quem, quem se serve de quem, entre outras problematizações e inquietações acerca da nossa identidade profissional.
No presente relato focalizo questões que se fizeram presente ao longo do curso / dos encontros semanais, com destaque para o papel dos professores/artista. Destaco a importância das experimentações e pesquisas realizadas ou iniciadas a partir do GEP.
Sem dúvida, hoje é praticamente impossível de se pensar um professor de Arte que não seja artista, pois o ensino não apenas envolve aspectos materiais, técnicos (no sentido do aprendizado de um ou mais instrumentos artísticos), mas também há a transmissão de uma visão de mundo, uma maneira de enxergar e entender a arte: questões éticas aliadas à estética.
Percebo quanto que o contato com materiais diversos pode enriquecer o repertório do professor (e do aluno), estimulando a produção e a pesquisa em Arte. O GEP permitiu um espaço de liberdade, diversidade e diálogo. Sempre à luz de leituras de textos e comunicações de profissionais / professores aptos a orientar e participar das produções textuais e estéticas.
Na realidade, o fazer e o pensar artísticos caminham juntos e é impossível separá-los. A nossa educação muitas vezes fragmenta as áreas, como se o fazer pudesse existir sem um pensamento, e vice-versa. Na ânsia de que nossos estudos no GEP possam ter continuidade e profundidade prática, seria espetacular acompanhar o surgimento de ideias iniciais até concretizar o trabalho. Além de vivenciar as etapas de experimentação, dos planejamentos, dos pré-projetos, da escolha consciente dos materiais até o resultado almejado. Esse é, a meu ver, um dos grandes desafios do professor / artista: conciliar a sua ideia, o seu projeto inicial, com a escolha dos materiais adequados, enfrentando novos desafios e estando aberto e atento às coisas, ao mundo em geral. Estabelecer diálogos, reflexões, olhares críticos é fundamental. Todo esse processo é um exercício da crítica e da autocrítica, que nos impulsionam para frente, na busca de novas experiências no campo do fazer e do pensar.
Acredito que o que impulsiona o trabalho artístico, a produção, é uma inquietude, um querer descobrir, fazer, refazer, desmanchar e criar. Enfim, todas as emoções, intuições, reflexões se transformam em produções estéticas. Tudo pode dialogar e contribuir com o conhecimento e com a produção artística.
Somos professores de artes visuais com diferentes pontos de vista, diferentes visões de arte, o que pode tornar o grupo (GEP) muito produtivo e rico. Os estudos e experiências com a informática como ferramenta importante na educação e na arte, também estiveram presentes nos estudos e produções do grupo. Embora tenha sido perceptível a fragilidade, insegurança e dificuldade enfrentadas por alguns integrantes do grupo. E este é só mais um desafio a ser enfrentado por nós professores.
Concluo afirmando que este grupo de produções em arte teve avanços significativos. Mas é preciso dar continuidade aos estudos e em especial, a produção estética como prática artística.




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