Esse texto é parte de uma escolha dentre os muitos assuntos que foram tratados, discutidos no GEP de Artes Visuais. Nesse sentido o mesmo tem por intuito discorrer um pouco do que foi a proposta apresentada por mim em um dos encontros de estudo do GEP. A proposta cujo tema foi consumo/ consumismo ao qual procurou discutir coletivamente através de uma narrativa poética direcionada para o foco do consumo/consumismo. Na ocasião de minha fala discutida de maneira breve a questão do consumismo e de como ele é/ está disseminado nos meios de comunicação, na moda, nas mídias influenciando posturas, alterando o comportamento do individuo diante da diversidade de formas de proliferação da sociedade. Para amparar as reflexões utilizei-me na minha apresentação de recursos áudio visuais, como o premiado filme Logorama, que é um filme de curta metragem animado francês de 2009, dirigido por François Alaux, Hervé de Crecy e Ludovic Houplain.
O filme apresenta diversas situações ocorridas em uma Los Angeles feita de mascotes e logos de diversas empresas. Os personagens principais são dois policiais Bibendums que recebem uma chamada de roubo cometida por Ronald McDonald, e saem em perseguição. O curta-metragem ganhou o Premio Kodak no Festival de Cannes de 2009, e o Oscar de melhor Curta – Metragem de Animação do Oscar 2010. Este curta metragem pretendeu a priori trazer ao coletivo a idéia do que tem se tornado uma sociedade voltada para as grandes empresas multi instaladas pelos continentes. A discussão é universal, e o filme traz esta vertente complexa e contemporânea da sociedade consumista. Na sequencia também havia organizado uma amostra da exposição “È crédito ou débito” que reúne Intervenções em que artistas e público que negociam, por centavos, conversas, gestos, textos ou objetos simbólicos discutindo questões sobre a sociedade de consumo e o mercado da arte. Ao utilizar esta que é uma das frases mais empregadas em nosso mundo contemporâneo, questionamos a circulação de produtos, serviços, ideias e ideais que constantemente nos interpelam a assumir o papel de consumidor em intercâmbios incessantes, travados com base em valores objetuais e simbólicos. Intercâmbios que quase sempre comprometem experiências subjetivas. Sob curadoria de Josué Mattos, artistas incorporam ideias e ações a partir de uma genealogia artística construída desde os anos 70 que subverte o sistema institucional da arte, estabelecendo alternativas de posicionamentos face ao sistema capitalista. Em consonância com os objetivos da Mostra SESC de Artes, as intervenções reúnem considerações do mundo contemporâneo e do caráter interdisciplinar da arte contemporânea.
A partir destas apreciações podemos refletir coletivamente de como as formas propagadoras influenciam o consumismo e afetam o comportamento dos sujeitos na sociedade contemporânea. Pensar este comportamento e a maneira de como acontece é articular com a discussão da arte e da imagem, estabelecendo assim narrativas visuais poéticas que venham dialogar. O objetivo da proposta naquela ocasião foi contemplar os encontros do curso do GEP – grupo de estudo e poéticas de artes visuais, e abrir para além do curso espaço para a postura critico-reflexiva diante das produções contemporâneas.
A apreciação do vídeo elaborado, da narrativa poética que produzi com imagens apropriadas, editadas de meu cartão de crédito e de minha imagem em uma foto 3x4 foi fundamental no sentido em que este material pode contribuir através da reflexão do tema e fomentar as criações dos colegas participantes. A oficina foi ponto importante desta ação, pois tivemos oportunidade de vislumbrar possibilidades inovadoras, desenvolver com o uso da edição de imagens e de recursos free de sites e dos mais simples programas de edição do computador a criação das narrativas visuais poéticas criadas a partir das apreciações do vídeo logorama e do Power point produzido: “crédito ou descrédito”.
Finalizando: Essa experiência no GEP – Grupo de Estudo e Poéticas foi salutar no sentido que a temática é propicia e oportuniza vincularmos o uso das tecnologias na produção imagética. Pôde ser utilizado como modos de ver e interagir com as imagens as quais foram produzidas dentro de uma discussão sadia, provocadora e instigante que permeia um assunto contemporâneo que é do universo particular de cada um de nós, que influencia comportamentos.
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