quarta-feira, 24 de agosto de 2011

A imagem vem alcançando espaços cada vez mais expressivos -Edilene Batista Gonçalves de Assis



 A imagem vem alcançando espaços cada vez mais expressivos na contemporaneidade face ao culto da aparência de da sua representação como mercadoria. A existência desse culto não elimina as possibilidades de compreendê-la como essencial para a comunicação, entendendo que, tecnologicamente, sofre as influencias da mundialização onde despontam alternativas para avançar e ate mesmo superar limites no uso. A partir do momento que o homem expressa através de símbolos e figuras a sua realidade, seja ela interior ou exterior, mediante a evolução de sua cultura e postura social, refina-se a visão conceitual de um acontecimento ou manifestação.
O valor da arte não está no tipo de experiência que ela qualifica, se contemplativa, próxima ou distante, mas que essa experiência seja a experiência do aprendizado de novas percepções. Dessa maneira, não se deve pensar que as manifestações artísticas tecnológico-digitais se aproximam do registro da indústria cultural, mas sim, mais exatamente das pesquisas tecnológico científicas de ponta.
A arte contemporânea tem algo a dizer à realidade empírica que a produz? Sua
expressão não é necessariamente uma mensagem a ser veiculada. O mais importante é
por em movimento processos de pensamento e não em comunicar dizeres cheios de
significado. O enriquecimento dos meios técnicos produz obras muito específicas que têm sentido num determinado contexto e, talvez não em outros.
Depois de refletir  sobre as ideias acima organizei a oficina onde os temas foram :
 1ª ETAPA:
A procura de um espaço real 1-Uma estrutura ilimitada ou infinitamente grande, que contém todos os seres, que é definida por relações geométricas entre todos os seres, e que é campo de todos os eventos—sejam eles observáveis ou não... 2-Uma componente da estrutura espaço-tempo, dentro do domínio da existência, que permite quaisquer manifestações ditas "físicas" -- como é o caso dos fenômenos da   dinâmica...
3-A região compreendida entre dois pontos consecutivos...
O que é real? O real é tido como aquilo que existe, fora da mente. Ou dentro dela também. A ilusão, a imaginação... A ilusão quando existente, é real e verdadeira em si mesma. Ela não nega sua natureza. Ela diz sim a si mesma...
2ª ETAPA
Criando um espaço imaginário
3ª ETAPA
A discussão sobre Ética

terça-feira, 23 de agosto de 2011

O tempo escorre das nossas mãos na mesmice cotidiana

O tempo escorre das nossas mãos na mesmice cotidiana, sem tempo para apreciar,  fruir,  compreender as imagens erradias,  despertar nossa poeticidade. Parece que corremos atrás de miragens, porque, uma vez alcançadas, elas se esvaem, se “desmancham no ar” para formarem novas miragens mais à frente, onde, alucinados, esquizofrênicos, pomo-nos novamente a persegui-las.
                  Mas o tempo não espera e a identidade não se fixa em meio ao caos de nossos devaneios, ora somos cartesianos, ora somos poetas enlouquecidos, ávidos por aventurar por outros traçados, desconfiar dos caminhos retos, dos contornos fechados e estabelecidos.
                  De repente alguém acena em meio à mesmice que nos acomete, e diz que podemos produzir, que é tempo de despertar em nós as possibilidades criativas há muito reprimidas, diz venha, procure no seu baú os velhos pincéis, os papéis amarelados pelo tempo, o nanquim endurecido, os suportes improvisados, a câmera guardada, o PC que só conhece o editor de textos. Traga tudo isto e vamos nos unir em grupo, porque juntos poderemos criar metáforas, construir sentidos, forjar identidades.
Roucos de tanto silêncio nos apresentamos, as mãos estão pouco hábeis, o corpo inteiro dicotomizado,  os materiais espalhados pelo chão, a mente aguçada, temos que ser professores artistas.
Ana Rita Silva

                  O Gep – Poéticas e Produção em Artes Visuais tem como objetivo formar um grupo de produção artística no Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte, constituído de professores da rede estadual de educação. A idéia do grupo é oportunizar a prática artística entre os professores que se dedicam à docência e deixam de dar atenção aos seus processos criativos em arte.
A prática artística acaba sendo esquecida no cotidiano dos professores, que se vêem sobrecarregados de atividades após o término da graduação, sem tempo para estabelecer conexões com seus processos criativos. Assim como esses professores, ao escolher a licenciatura em arte eu esperava poder conciliar o lado poético e a docência, numa retroalimentação que me permitisse ter uma identidade fortalecida como educadora e como artista. A realidade mostrou a sua face, em forma de carga horária dobrada, minando-me as expectativas de conciliar as duas dimensões desse meu ser.
No Gep foi possível experienciar algumas possibilidades em conjunto com o grupo, mas, simultaneamente ao trabalho coletivo, pudemos trabalhar nossas questões subjetivas, nossas próprias metáforas.  Algumas produções foram desencadeadas pelas discussões em foco, por meio de temáticas vinculadas à matriz curricular da área de arte para o estado de Goiás. Avaliando nosso percurso, considero que essas temáticas traziam temas muito complexos, que não poderiam ser abordados em curto espaço de tempo. Apesar de pertinentes, penso que não deveriam tomar a maior parte de nosso tempo, do modo como aconteceu, e que esse tempo deveria ser voltado à produção artística. Outra questão a ser repensada é a fragmentação, uma vez que cada tema desencadeava um processo produtivo, e esse processo era interrompido na próxima aula para inaugurar novo tema.
Considerei como positivo, as visitas que tivemos de artistas de fora, que nos trouxeram suas experiências criativas, compartilhando seus modos de ver e entender a arte contemporânea. Acho que noutra oportunidade poderíamos investir num único tema por semestre, explorando-o cada um ao seu modo, penso também que a produção deve ter continuidade numa única proposta, pois o tempo é curto e não é possível concluir um trabalho de qualidade, que exige pesquisa mais extensa, considerando que nosso tempo disponível praticamente se restringe aos momentos que temos com o grupo.
Por fim, todas as experiências foram muito boas, qualquer uma delas, se fosse única, faria transcorrer o semestre sem nem mesmo ser aprofundada a contento, pois foram todas instigantes e capazes de desencadear inúmeros sentidos e significados. A que mais me marcou foi a da metáfora. Trabalhar com metáforas, para mim, é o grande lance da produção artística, porque nos faz ultrapassar os significados imediatos e a construir novos sentidos  para as nossas experiências.


Ana Rita da Silva
Professora Artista?


Terezinha Gregório da Silva


No período compreendido de 22-02-2001 a 21-06-2011 foram ministradas palestras extremamente importante para enriquecer nosso conhecimento e proporcionar meios de trabalhos mais interessantes ao ensino da Arte.

Tivemos várias abordagens dentro do contexto Eu / Identidade, o que me fez repensar o eu e o outro enquanto brincávamos e produzíamos. A proposta  apresentada pela Luz Marina (professora artista) é muito importante para o nosso trabalho. Muito interessante as colocações a respeito de Outro / Sociedade quando se fala em grotesco e cômico, belo e feio, compreensão cultural, emoções e idéias, representação, identidade e abordagem psicologia do Self, são fatos para serem refletidos enquanto trabalhamos.

No que diz respeito a Localidade / lugares / trajetos, as apresentações foram bastantes convincentes. Falamos e brincamos com a tecnologia e isso é do interesse dos nossos alunos.

Do conteúdo Posicionamento / Projetos, tirou-se grande proveito, pois tivemos a oportunidade de produzir coisas incríveis e que certamente irão transformar nossos pequenos aprendizes em grandes produtores de arte.

Parabéns a todos os colaboradores desta etapa.


Goiânia, 01 de julho de 2011.

Fernanda Moraes de Assis


Esse texto é parte de uma escolha dentre os muitos assuntos que foram tratados, discutidos no GEP de Artes Visuais. Nesse sentido o mesmo tem por intuito discorrer um pouco do que foi a proposta apresentada por mim em um dos encontros de estudo do GEP. A proposta cujo tema foi consumo/ consumismo ao qual procurou discutir coletivamente através de uma narrativa poética direcionada para o foco do consumo/consumismo. Na ocasião de minha fala discutida de maneira breve a questão do consumismo e de como ele é/ está disseminado nos meios de comunicação, na moda, nas mídias influenciando posturas,  alterando  o comportamento do individuo diante da diversidade de formas de proliferação da sociedade. Para amparar as reflexões utilizei-me na minha apresentação de recursos áudio visuais, como o premiado filme Logorama, que é um filme de curta metragem animado francês de 2009, dirigido por François Alaux, Hervé de Crecy e Ludovic Houplain.
O filme apresenta diversas situações ocorridas em uma Los Angeles feita de mascotes e logos de diversas empresas. Os personagens principais são dois policiais Bibendums que recebem uma chamada de roubo cometida por Ronald McDonald, e saem em perseguição. O curta-metragem ganhou o Premio Kodak no Festival de Cannes de 2009, e o Oscar de melhor Curta – Metragem de Animação do Oscar 2010. Este curta metragem pretendeu a priori trazer ao coletivo a idéia do que tem se tornado uma sociedade voltada para as grandes empresas multi instaladas pelos continentes. A discussão é universal, e o filme traz esta vertente complexa e contemporânea da sociedade consumista. Na sequencia também havia organizado uma amostra da  exposição “È crédito ou débito” que reúne Intervenções em que artistas e público que negociam, por centavos, conversas, gestos, textos ou objetos simbólicos discutindo questões sobre a sociedade de consumo e o mercado da arte. Ao utilizar esta que é uma das frases mais empregadas em nosso mundo contemporâneo, questionamos a circulação de produtos, serviços, ideias e ideais que constantemente nos interpelam a assumir o papel de consumidor em intercâmbios incessantes, travados com base em valores objetuais e simbólicos. Intercâmbios que quase sempre comprometem experiências subjetivas. Sob curadoria de Josué Mattos, artistas incorporam ideias e ações a partir de uma genealogia artística construída desde os anos 70 que subverte o sistema institucional da arte, estabelecendo alternativas de posicionamentos face ao sistema capitalista. Em consonância com os objetivos da Mostra SESC de Artes, as intervenções reúnem considerações do mundo contemporâneo e do caráter interdisciplinar da arte contemporânea.
A partir destas apreciações podemos refletir coletivamente de como as formas propagadoras influenciam o consumismo e afetam o comportamento dos sujeitos na sociedade contemporânea. Pensar este comportamento e a maneira de como acontece é articular com a discussão da arte e da imagem, estabelecendo assim narrativas visuais poéticas que venham dialogar. O objetivo da proposta naquela ocasião foi contemplar os encontros do curso do GEP – grupo de estudo e poéticas de artes visuais, e abrir para além do curso espaço para a postura critico-reflexiva diante das produções contemporâneas.  
A apreciação do vídeo elaborado, da narrativa poética que produzi com imagens apropriadas, editadas de meu cartão de crédito e de minha imagem em uma foto 3x4 foi fundamental no sentido em que este material pode contribuir através da reflexão do tema e fomentar as criações dos colegas participantes.  A oficina foi ponto importante desta ação, pois tivemos oportunidade de vislumbrar possibilidades inovadoras, desenvolver com o uso da edição de imagens e de recursos free de sites e dos mais simples programas de edição do computador a criação das narrativas visuais poéticas criadas a partir das apreciações do vídeo logorama e do Power point produzido: “crédito ou descrédito”.
Finalizando: Essa experiência no GEP – Grupo de Estudo e Poéticas foi salutar no sentido que a temática é propicia e oportuniza vincularmos o uso das tecnologias na produção imagética. Pôde ser utilizado como modos de ver e interagir com as imagens as quais foram produzidas dentro de uma discussão sadia, provocadora e instigante que permeia um assunto contemporâneo que é do universo particular de cada um de nós, que influencia comportamentos.

“Poéticas Visuais de Artes Visuais” karla Araujo


Iniciamos o grupo de estudo com a palestra da psicologa Juliana de Castro Alves,professora da PUC-GO.
         A  professora Juliana discutiu sobre “ O individuo e Subjetividade, sob o foco do “Eu”. Pontuou que as pessoas se negam a se adaptar ao ambiente social, que o  objetivo social é concreto é uma realidade e as pessoas muitas vezes se negam a enfrentar a realidade, e que ser singular quer dizer que sou igua e diferente de outra pessoa, ou seja sou uma pessoa como todas as outras, mas diferente nos meus valores, preferencias;Filmes como Dogville, Maderlayne descrevem bem a sociedade, discutida por Juliana;No decorrer do estudo Luzmarina, Coordenadora do Ciranda da Arte, palestrou sobre o tema professor artista/ artista professor.
         Edina Nagoschi no encontro seguinte apresentou o tema: Auto retrato: O Narciso que se revela na obra, debatemos sobre as mãos, eu e o outro e as atitudes do artista com a própria imagem.
         Kátia Rodrigues nos apresentou os “Retratos metafóricos” e pontuou que o retrato desperta no artista um sentimento de auto conhecimento, uma reflexão, busca constante pela descoberta, auto afirmação e completou que metáfora abre o campo á criação de uma imagem das emoções do comportamento das pessoas e de suas relações com os outros. O livro “ Paixão segundo G.H de Clarice Lispector é um exemplo de retratos destas metáforas.
         Sob o tema “Eu e os outros” Rochane Torres abriu com um curta produzido por ela, discutiu-se o vídeo e a relação deste com o tema; em seguinta experienciamos uma dinâmica na qual andávamos pelo espaço da sala,de dois em dois engessamos os braços e caminhávamos a dupla unida pelos braços, em seguida parava em frente a câmera e dizíamos como estamos nos sentimos dessa maneira, unidos pelo gesso dos braços. Num segundo momento socializamos a experiencia da dinâmica e do vídeo.
         Márcio Pizzaro, prof. De Teoria arte/ Estética Pós- graduação- UFG. Desenvolveu o tema Processos de criação, biográficos, auto biografia, feitas no presente com seus estudantes.
         Pontuou a história de vida do pesquisador e a história etnográfica do mesmo, enfatizou “Inicio aqui mais uma pesquisa, mais  uma jornada sobre meu “eu” voltando no tempo, para registrar o agora, árvore genealógico”.
         Pontuou também que cultura são significados compartilhados e que a arte se relaciona com a cultura não é cultura. ( Márcio Pizarro).
         No encontro seguinte Eduardo Ávila, trabalhou a Estética do Outro: uma perspectiva Oriente-Ocidente. No ocidente pontuou: A estética do grotesco, Definição do grotesco e do humor ( cômico), Grotesco na contemporaneidade: Representações no cinema, na publicidade e nas artes visuais, elencou também no Ocidente: A estética do cômico, As comédias gregas, Paródia é uma imitação cômica, Ressignificação do belo. Elencou no Oriente : Estudo acerca das produções artísticas africanas e asiáticas.
         Pontuou que a compreensão cultural não é decifrar algum sistema verbal ou conhecer bem porque o outro age ou sente ou faz, mas sim ser capaz de compreender e interpretar as manifestações dos outros e sentir-se confortável com essas pessoas. Indicou o filme “Memórias de uma Gueixa”.
Num encontro seguinte Haidee trabalhou a Escrita terapêutica de Louise Bourgeois. Que pontuava sobre sua própria arte: “Minhas emoções são inapropriadas ao meu tamanho. Elas são meus demônios – não as emoções mas sua intensidade.”Louise pontuava “Minha infância nunca perdeu sua magia, nunca perdeu seu mistério e nunca perdeu seu drama”. Ela esculpiu uma escultura em forma de uma aranha gigante, imensa aranha. Ode a minha mãe.
         No encontro  seguinte Franco trabalhou a representação, identidade e abordagem do self, citou autores com Hobbes, Hall, Golfman dentre outros. Pontuou também a representação do eu na vida cotidiana, contextualizou com o filme “O diabo Veste Prada.
         A professora Noelly trabalhou deslocamento, distâncias e construção mental, socializamos produções feitas por nós que participávamos do curso. Professora Edilene e Rosane trabalharam Localidade, Lugares, Trajetos, Ética, espaço real ,  imaginário, produção, fizemos uma atividade prática com máquinas fotografias na qual fotografávamos o que mais nos chamava a atenção e trabalhávamos essas fotos no computador fazendo interferenciais visuais. Professora Fernanda trabalhou o tema crédito ou descrédito no qual trabalhou com o cartão de banco, trabalhou uma narrativa visual.
         Fiz um breve relato do Grupo de Estudo Poéticas Visuais, para enfatizar que foi um curso muito rico, que pode continuar num segundo momento  para uma prática mais efetiva, momentos de mais  experimentações. Esse curso abre possibilidades de palestrantes, artistas e professores interagirem de forma orgânica e significativa.


um espaço para fazer, experimentar, pensar e aprender a ver. Rosane Vera Wendland



O objetivo desta escrita é explorar algumas considerações acerca da arte, da produção em arte e da relação entre elas, de modo a mostrar a condição interminável desse campo de estudo e investigação. Tomando como horizonte a nossa formação de professores, e, a nossa prática estética dentro de um processo contínuo. Estamos produzindo arte? Como estamos “formando” os outros sem estarmos participando de uma formação e produção pessoal?
                        Arte: Fernanda Moraes -  Pássaro fantástico


Participar do GEP, além de inúmeros questionamentos, pude vivenciar e refletir sobre questões como: O lugar da arte na educação, a relação entre arte e educação, o lugar da arte na vida, o sentido da educação, as implicações entre a vida, a arte e a educação, quem vem antes, quem vem depois, quem depende de quem, quem se serve de quem, entre outras problematizações e inquietações acerca da nossa identidade profissional.
No presente relato focalizo questões que se fizeram presente ao longo do curso / dos encontros semanais, com destaque para o papel dos professores/artista. Destaco a importância das experimentações e pesquisas realizadas ou iniciadas a partir do GEP.
Sem dúvida, hoje é praticamente impossível de se pensar um professor de Arte que não seja artista, pois o ensino não apenas envolve aspectos materiais, técnicos (no sentido do aprendizado de um ou mais instrumentos artísticos), mas também há a transmissão de uma visão de mundo, uma maneira de enxergar e entender a arte: questões éticas aliadas à estética.
Percebo quanto que o contato com materiais diversos pode enriquecer o repertório do professor (e do aluno), estimulando a produção e a pesquisa em Arte. O GEP permitiu um espaço de liberdade, diversidade e diálogo. Sempre à luz de leituras de textos e comunicações de profissionais / professores aptos a orientar e participar das produções textuais e estéticas.
Na realidade, o fazer e o pensar artísticos caminham juntos e é impossível separá-los. A nossa educação muitas vezes fragmenta as áreas, como se o fazer pudesse existir sem um pensamento, e vice-versa. Na ânsia de que nossos estudos no GEP possam ter continuidade e profundidade prática, seria espetacular acompanhar o surgimento de ideias iniciais até concretizar o trabalho. Além de vivenciar as etapas de experimentação, dos planejamentos, dos pré-projetos, da escolha consciente dos materiais até o resultado almejado. Esse é, a meu ver, um dos grandes desafios do professor / artista: conciliar a sua ideia, o seu projeto inicial, com a escolha dos materiais adequados, enfrentando novos desafios e estando aberto e atento às coisas, ao mundo em geral. Estabelecer diálogos, reflexões, olhares críticos é fundamental. Todo esse processo é um exercício da crítica e da autocrítica, que nos impulsionam para frente, na busca de novas experiências no campo do fazer e do pensar.
Acredito que o que impulsiona o trabalho artístico, a produção, é uma inquietude, um querer descobrir, fazer, refazer, desmanchar e criar. Enfim, todas as emoções, intuições, reflexões se transformam em produções estéticas. Tudo pode dialogar e contribuir com o conhecimento e com a produção artística.
Somos professores de artes visuais com diferentes pontos de vista, diferentes visões de arte, o que pode tornar o grupo (GEP) muito produtivo e rico. Os estudos e experiências com a informática como ferramenta importante na educação e na arte, também estiveram presentes nos estudos e produções do grupo. Embora tenha sido perceptível a fragilidade, insegurança e dificuldade enfrentadas por alguns integrantes do grupo. E este é só mais um desafio a ser enfrentado por nós professores.
Concluo afirmando que este grupo de produções em arte teve avanços significativos. Mas é preciso dar continuidade aos estudos e em especial, a produção estética como prática artística.




Ensaio Poéticas do Espaço – o espelho e a água- Warla Faria

Este ensaio busca refletir sobre as faces do ser artista-professor em dança. Como professora de dança da rede estadual de educação de Goiás e recente criadora-intérprete que se coloca a deriva para viver intensamente uma multiplicidade de experiências lanço como perguntas iniciais: como experiências artísticas no âmbito da criação e interpretação influenciam experiências pedagógicas no ensino de dança? Como se apresentam tais fronteiras?
O espelho, a água, o corpo e o espaço são elementos que tenho encontrado em diversas experiências artísticas e pedagógicas. Do Conexão Samambaia, residência artística promovida por Kleber Damaso, professor do curso de Artes Cênicas da EMAC/UFG ao Grupo de Estudo e Pesquisa em Produção e Poéticas promovido pelo Centro de Estudo e Pesquisa Ciranda da Arte ao curso de Reorientação em Arte/Dança ministrado por mim e pela Professora Lana Costa.
Estes têm sido elementos mágicos que se fundem um no outro, ora produzindo sombras, ora criando poéticas entre o real tridimensional e o imagético espelhado, espaços de embaralhamento e interação de linguagens. Espaços de lugares, não-lugares (Augé, xxxx) e entre-lugares, fronteiras (Renato Ferracini, 20xx) do banheiro espelhado de uma casa branca prestes a ser demolida com suas memórias, conflitos e paradoxos à sala de trabalho disputada e ocupada de tempos em tempos por uma diversidade de interesses.
Experiências artísticas como potencializadores de atitudes internas e externas, artísticas e pedagógicas que se flexibilizam e transformam os modos de olhar e se colocar diante da sociedade. Hélio Fervenza em “Olho Mágico”  compreende o “olhar como ponto de passagem: situação limite onde algo acaba, nossa visibilidade, e começa algo invisível, uma visibilidade outra”



Água como lágrimas que aliviam um dilúvio de contradições e preenche a banheira espelhada se misturando a erva doce, anis e leite. Movimentação lenta, troncos e braços espelhados, pés e pernas como cauda deslizante a luz de velas. Corpos visíveis, escondidos no branco líquido e sólido do espaço, transformados em imagem bidimensional espelhada, que num tempo lento rememora, trás a tona, o aconchego uterino, a intimidade perdida de um espaço fragmentado e despedaçado.
Corpos que se encontram num tempo com temperaturas distintas, peles que se tocam, percepção sensível do ter e do não ter um lugar, um nome, uma identidade, uma vida. Fronteira que potencializa, provoca, desestabiliza, cria nova formas de estabilidades.
Movimento espelhado, movimento da água e na água, sons. Fluidez que preenche, sufoca e afoga ao mesmo tempo que conforta, protege e cuida.

Bibliografia
FERVENZA, Héio. Olho mágico. In: NAZARIO, Luiz e FRANCA, Patrícia (org.) Concepções Contemporâneas da Arte. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2006.
AUGÉ, Marc. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade. São Paulo: Papirus, 1994.
FERRACINI, Renato. Fronteiras, Paradoxos e Micropercepções. Site: http://www.renatoferracini.com/home/pos/artigos, dia 22 de junho de 2011 às 18:58.
DAMASO, Kleber. Conexão Samambaia: residências interartísticas. Goiânia: EMAC, 2011. Site: http://conexaosamambaia.wordpress.com/, dia 22 de junho de 2011 às 19h.




Visita a espaços cultuais
Nome: Projeto Dança em Foco: Festival Internacional de Vídeo & Dança
Instituição: Curso de dança – FEF/UFG e Festival Diagnóstico da Dança
Período de realização: de 3 a 7 de maio
Oficina: Vídeoprojeções com Celina Potella
Impressões e análise sobre o trabalho: Durante a oficina tivemos a oportunidade de revisitar um panorama do vídeodança com Eduardo Bonito, propositor do projeto dança em foco, destacando categorias e possibilidades de criação em vídeodança. Num segundo momento, Filipe Silva tratou de questões relativas as proposições em vídeodança e vídeoarte destacando temáticas como: tempo, espaço, sexualidade, relação do vídeo com a cena, performance, citando o texto da Eleonora Fabião, discutindo a construção de dispositivos para a produção de vídeodança, decupagem entre outros elementos que ampliam as possibilidades de captação e edição da imagem. Por fim, foi proposto a captação a partir da criação de alguns dispositivo e a experimentação de uma proposta cênica a partir de uma vídeoprojeção. Todas as questões discutidas, bem como as referências propostas foram muito instigadoras de um pensamento artístico que relaciona dança e tecnologia. Tivemos a oportunidade de conhecer diversos trabalhos de vídeo (vídeodança e vídeoarte) relacionando-os a categorias e concepções artísticas.