“...é impossível conceber um self surgido fora da experiência social”
Heberth Mead
Representação ,Identidade ,Abordagem psicológica do Self em C.H. Cooley e H. Mead
A representação do Eu na vida Cotidiana foram aspectos trabalhados pelo prof. Franco Pimentel.
01) A questão da Representação
Para Hobbes (1884 in Leivas, 2007), concepções e pensamentos são representações de modo a tornarem-se base para a compreensão dos fenômenos exteriores a nós.
imagens mentais e representações das qualidades das coisas fora de nós são o que chamamos cognição, imaginação, idéias, informação, concepção, ou conhecimento delas. E a faculdade ou poder, pelo qual somos capazes desse conhecimento, é o que aqui denomino por poder cognitivo ou conceptual (HOBBES, 1983: 48 in LEIVAS, 2007: 48).
Em termos gerais isso nos leva a entender que sempre que percebemos, num dado instante “presente” (inédito), um objeto totalmente aleatório a nós, podemos ter as sensações de estranhamento, conhecimento, ou reconhecimento do mesmo. Caso haja estranhamento, estabelecemos sobre ele um conceito, e mudamos a qualidade de sua natureza de “desconhecido” para “conhecido” caracterizando-o como uma matriz.
Com base nisso, sempre que nos depararmos com objetos semelhantes, nossa mente re-presenta (traz ao presente as sensações pretéritas) o objeto matriz e compara um com o outro. Fato que nos permite re-conhecê-lo como original ou apenas como variações do mesmo.
Essa capacidade de mobilizar uma sensação pretérita “presente anteriormente”, tornando-a “presentacional”, com o intuito de estabelecer comparação, permite-nos compreender o que para Hobbes consiste em representação cognitiva. Assim é que conhecemos ou reconhecemos os fenômenos exteriores a nós, em nós e para nós, na forma de fantasmas ou representações.
Pela perspectiva sociológica e cultural de Stuart Hall (1997) as representações sustentam linguagens.
Nem as coisas por si mesmas, nem os usuários da linguagem, podem fixar o sentido da linguagem. As coisas não têm significado: nós construímos o sentido usando sistemas de representação – conceitos e sinais (HALL, 1997:25 in HERNANDEZ, 2007: 22).
Conforme ele não devemos confundir o mundo fenomênico e material no qual existimos com os significados que damos a ele, ou seja, “com as práticas simbólicas e os processos, por intermédio dos quais a representação, o sentido e a linguagem operam”, pois tais significados são transitórios. “Tal posição não implica negar a existência do mundo material, mas entender que não é este que confere significado a tudo e sim o sistema de linguagem que estamos utilizando para representá-lo”. Na perspectiva de Hall, representar é perceber o mundo e inferir compreensão acerca dele, ou seja, é produzir sentidos por meio da linguagem utilizando signos "para simbolizar, fazer referência a objetos, pessoas ou eventos do chamado mundo 'real' [...] a coisas imaginárias, a mundos fantásticos ou idéias abstratas, que não fazem, no sentido mais óbvio, parte do nosso mundo material”. (HALL, 1997 p. 28 in HERNANDEZ, 2007: 22)
Ervin Goffman (2007), traz o sentido de representação para a análise das práticas culturais e sociais das performances dos sujeitos na vida cotidiana. Conforme seu posicionamento, nos dá a idéia de que representação “é o que há em toda atividade de um indivíduo que se passa, num período caracterizado por sua presença contínua, diante de um grupo particular de observadores e que tem sobre estes alguma influência”. (GOFFMAN 2007: 29)
02) A problemática da identidade
Foto: Obra "Lágrimas de São Pedro" - Vinícius S.A.
Em nosso cotidiano de vida estamos sempre a representar na busca de uma autenticidade do nosso Eu. Porém, por não consegui-lo, vamos mudando a máscara, a persona de cena Segundo Hall (2006 p. 38), não cabe falar de identidade, mas de identificação pelo fato de que “a identidade é algo formado, ao longo do tempo, através de processo inconsciente, e não algo inato, existente na consciência do momento do nascimento”. O que significa que quando pensamos que temos uma identidade formada, vivemos apenas o seu processo.
A identidade surge não tanto da plenitude da identidade que já está dentro de nós como indivíduos, mas de uma falta de inteireza que é ‘preenchida’ a partir de nosso exterior, pelas formas através das quais nós imaginamos ser vistos por outros. Psicanaliticamente, nós continuamos buscando a identidade e construindo biografias que tecem as diferentes partes de nossos eus. (p.39)
Constitui-se assim, a identidade, de um continuum jogo entre o eu interno e o eu externo, uma espécie de “estado de espelho” (LACAN, 1996) onde criamos um entrosamento entre o olhar do nosso eu e do outro, identificando-nos com o que o outro é e com a maneira como ele nos percebe. Uma espécie de “looking-glass self, isto é, um selfespelho”, um processo que nos faz ver a nós mesmos como os outros nos vêem (COOLEY 1902, MEAD 1934). Self refere-se a “pessoa”, “pessoal”. De acordo com MEAD (1934) atuamos sob a sua égide do à medida que, agindo em sociedade e a partir do olhar do outro, nos tornamos capazes de tomar a atitude desse outro como parte essencial do nosso próprio comportamento.
Com base na perspectiva da representação o conceito de identidade emerge do reconhecimento de que o modo como percebemos a nós mesmos se difere de todos os modos como os outros nos percebem e que o que pode haver, em geral, entre uma percepção e outra é a idéia de “semelhança” como elemento que nos conduz ao diálogo simbólico da cultura. porém, nunca a mesma sensação idiossincrática. Assim o conceito de identidade surge da percepção daquilo que nos difere e não que nos iguala.
Chicago : University of Chicago Press. Disponível em:
03) Abordagem psicológica do Self em C.H. Cooley e H. Mead
Do grego, Psykho vem de psykhé (“alma”, “mente”) e loguía vem de logos (“palavra”, “razão” ou “estudo”). Portanto: a psicologia é a ciência que estuda a lógica da “alma”, “do eu” ou os comportamentos e “processos mentais” dos indivíduos:
Como toda a ciência, a finalidade da psicologia é a descrição, a explicação, a previsão e o controle do desenvolvimento do seu objeto de estudo, ou seja, os processos mentais, (pensar, planejar, tirar conclusões, fantasiar e sonhar), ou seja, o modo como a mente do indivíduo ou dos organismos funciona. Porém, como estes processos não podem ser observados, mas apenas inferidos, pauta-se pela observação (interna ou externa) do Comportamento na sua busca de adaptação ao meio em que vivem. Dizer que o indivíduo é a unidade básica de estudo da psicologia significa dizer que o mesmo permanece no centro de atenção, ainda que o estudo seja grupal.
Entre os séculos XVIII e XIX a psicologia, precisou passar por profundas transformações epistemológicas para que fosse reconhecida como ciência.
O termo psicologia entendido como “ciência do eu” aparece primeiramente no século XVIII na obra Psychologia empírica e Psychologia rationalis do filósofo alemão Christian Wolff (1679-1754).
Na época a questão fundamental encontrava-se na tentativa de idealizar um modelo lógico e experimental que demonstrasse como os pensamentos e idéias são criados e o elemento propulsor dos mesmos. O pensamento imperativo até então era o racionalismo empirista que se opunha a aceitar, por questões metodológicas, a tese de que esse elemento propulsor fosse o eu, até então tido como alma ou atividade do espírito.
No contexto da investigação psicológica o termo self (eu, pessoa, personalidade) trasforma-se sucessivamente, na medida em que o campo dessa ciência vai se delineando.
Biran (1766- 1824) contribuiu com o fato de suas idéias representarem um importante esforço de escapar ao reducionismo materialista, postulando, em sua tese, a “experiência como método de observação do eu”. Em sua noção de esforço voluntário propõe tratar o “homem interior” não como resultado da observação sensorial ou de processo racional, mas na forma de um sentimento interior.
O resultado é a apreensão do “eu vivente como fato primitivo”, isto é, “a percepção imediata que nos dá a certeza dele”. Esse eu revela-se como uma força capaz de dominar os órgãos e torná-los instrumentos de suas decisões, estando presente em cada um de nossos atos voluntários (Maine de Biran, 1799/1954)
Wundt (1832-1920) com sua “tese volitiva” da “unidade total” ou “caráter”, procura superar a concepção espiritualista e metafísica do eu ou do self, solicitando a psicologia como “ciência da consciência” preferindo desprezar as antigas idéias de “mente” ou “alma”. Para ele a mente não é um objeto, mas um processo consciente, constituídos elementos/idéias que se produz de acordo com as leis de causalidade. Não se e estuda a mente, mas tais processos.
Enquanto as idéias se compõem de sensações distintas em qualidade e intensidade que são conduzidas por nervos aferentes, os sentimentos não procedem de nenhum órgão sensorial. A volição (motivação dos impulsos) é uma espécie de sentimento de decisão ou resolução, que conduz a uma ação manifesta. Ela representa as necessidades do organismo e sua tendência a um comportamento intencional. A “unidade total do eu”, por sua vez, é ao mesmo tempo a base e a essência das volições.
Para esse autor a unidade total do eu a que ele chama de caráter seria o ponto culminante de sua psicologia volitiva.
No século XX, portanto, o self foi abordado de diversas formas e por diferentes linhas de pensamento que buscaram responder principalmente às questões sobre a personalidade, mas que também propuseram interpretações voltadas para o contexto social, combinando uma já existente psicologia do desenvolvimento com a psicologia social emergente.
Segundo Gergen (1984) há três pilares na pesquisa contemporânea do self. a) o senso de identidade e a configuração da auto-estima (James 1890); b) a teoria psicanalítica pelos autores que reformularam Freud; c) o interacionismo simbólico de Mead (1934) e Cooley (1902).
James (1842-1910) divide o conceito de Self em três partes, divididos em duas classes empíricas a) auto-aspirações (self-seeking) e b) auto-estima (self-estimation) e uma outra não empírica que se caracterizam como
Material – o próprio corpo, roupas, familiares e propriedades;
Social – reconhecimento que ele obtém de seus pares. O indivíduo tem tantos eus sociais quantos indivíduos que o conhecem e carregam uma imagem dele em suas mentes.
Espiritual – todas as faculdades e disposições psíquicas, funcionando centro da ação e da adaptação.
O ego puro – senso de identidade pessoal percebida através do pensamento predicativo das coisas às quais se pensa. Não existe como um fato, mas como um sentimento.
Diferencia o “mim” do “eu”: Enquanto o “mim” (me) empírico pode ser definido como um agregado de coisas objetivamente conhecidas, o “eu” (I) que as conhece é um pensamento diferente de cada pensamento anterior,
Nessa perspectiva Baldwin (1895) propoe uma dialética do crescimento pessoal. Ao observar o que aconteceu com seu próprio corpo assim que começou a movimentar objetos, a criança gradualmente passa a distinguir ela mesma das outras. O nascimento do self social ocorre quando a criança torna-se consciente de que o corpo das outras pessoas teve experiências tais como as suas.
Para Cooley (1902) o self social é como qualquer idéia ou sistema de idéias retirado da vida comunicativa em que a mente mantém, como se fosse seu próprio sistema. Enquanto conectado com o pensamento de outras pessoas, essa idéia de si (self idea) é sempre uma consciência do aspecto peculiar ou diferenciado da vida de alguém. Essa referência social, em uma série de casos, toma a forma de uma imaginação sobre como o nosso self – isto é, qualquer idéia de que nos apropriamos – aparece em uma mente particular. Por conseqüência, o tipo de sentimento de si que nós temos é determinado pela atitude em relação a essa idéia que foi atribuída àquela outra mente. O self social deste tipo deve ser chamado de self refletido ou self-espelho (looking glass self).
Da mesma forma que ao vermos nossa face e roupas no espelho ficamos interessados neles porque são nossos, e satisfeitos ou não com eles se eles respondem ou não ao que nós gostaríamos que eles fossem; na imaginação nós percebemos na mente do outro algum pensamento de nossa aparência, maneiras, objetivos, ações, caráter, amigos e assim por diante, e somos afetados por isso de diversas formas.
Segundo ele a idéia-self constitui-se de: a) a imaginação de nossa aparência para outra pessoa; b) a imaginação do julgamento dessa pessoa sobre nossa aparência; c) algum tipo de auto-sentimento, como orgulho ou mortificação.
Já para Mead (1934) o self encontra-se na habilidade do indivíduo de tomar o lugar do outro, através do uso da linguagem. Em outros termos, o indivíduo só aparece em seu próprio comportamento como um self quando ele é capaz de tomar a atitude do outro e torná-la parte essencial do próprio comportamento.
Essa situação na qual o ato de um self torna-se o estímulo para uma resposta dada por outro self, é denominada conversação de gestos. Diferentemente de Cooley, nesse processo, que não existe por si mesmo, a organização do ato social é importada para dentro do organismo e torna-se a mente do indivíduo que inclui também as atitudes dos outros, agora altamente organizadas, que se tornam atitudes sociais:
Esse processo de relacionar o próprio organismo aos outros nas interações que estão em andamento, na medida em que ele é importado para a conduta do indivíduo com a conversação do “eu” e o “mim”, constitui o self (Mead, 1934, p. 128).
Essa importação da conversação de gestos para a conduta do indivíduo resulta em uma “co-ordenação” superior obtida pela sociedade como um todo, bem como em uma “elevação da eficiência do indivíduo” como membro do grupo. Tais resultados diferenciam o processo que ocorre em um grupo de ratos, formigas ou abelhas, e o processo que ocorre em uma comunidade humana. Nesta última, o processo pode ser caracterizado em termos de “eu” e “mim”, definindo este último como o grupo de atitudes organizadas às quais o indivíduo responde como um “eu”.
Na verdade o que Mead (1934) buscou enfatizar, em seus próprios termos, foi a pré-existência temporal e lógica do processo social para o indivíduo consciente de si que cresce nele. A conversação de gestos é uma parte do processo social e não algo que o indivíduo sozinho torna possível.
O desenvolvimento da linguagem, especialmente o símbolo significante (significant symbol), tornou possível para o indivíduo controlar essa situação social externa através de sua própria conduta. Nessa perspectiva o indivíduo agora é capaz de prever a resposta dos outros indivíduos, e de se ajustar antecipadamente a ela.
04) A representação do Eu na vida Cotidiana.
Segundo Goffman (2007, p 29), todo e qualquer um “indivíduo que se passa, num período caracterizado por sua presença contínua, diante de um grupo particular de observadores e que tem sobre estes alguma influência”, representa. Para fundamentar e tornar visível sua tese toma emprestado do teatro a idéia de que os indivíduos na vida cotidiana atuam do mesmo jeito como que em um espetáculo teatral onde o cenário, o texto, e a perfomance, são harmonizados ao sabor das técnicas de representação, controle dos símbolos e significados pelo ator e pelo espectador.
Nesse sentido, para ele existem certas estruturas de simbolização que demarcam os territórios da representação, a saber: atuação; a fachada; a ação dramática; o ideal dos personagens; a necessidade do treinamento e do controle expressivo do ator; a questão do misticismo das representações ou a psique do ator e suas estratégias de dissimulação das técnicas; artifício versus realidade.
Para Goffman Atuação é a capacidade de crença que temos no papel que estamos a representar diante de alguém. Segundo o ele, toda vez que um indivíduo desempenha um papel, “implicitamente solicita de seus observadores levem a sério a impressão sustentada perante eles” (Goffman, 1985, p. 25). Ou seja, sem perceber, pede-lhes que acreditem que o personagem que estão vendo no momento é exatamente aquilo ele se lhes apresenta e que, de um modo geral, as coisas são o que parecem ser. Deseja que todos recebam sua representação conforme as intenções dos signos por ele escolhidos. Nessa perspectiva, de duas uma: ou ele é “cínico” mentindo descaradamente, mesmo sabendo que ninguém possa estar acreditando no que ele está representando, ou é “sincero” e indubitável naquilo que representa. Mas há casos, como cita o autor, em que o ator precisa ser sincero em seu cinismo, como os médicos que são “levados a receitar medicamentos inócuos para tranqüilizar os doentes”. Ou o caso dos estudantes de medicina que perderam seus ideais com os quais entraram no curso e, deixando de lado suas aspirações ideais passam a viver apenas em função das estratégias de como passar nas avaliações do curso.
FACHADA;
Parte do desempenho do indivíduo que funciona regularmente de forma geral e fixa com o fim de definir a situação para os que observam a representação. Fachada, portanto é o equipamento expresivo de tipo pagdronizado intencional ou inconscientemente empregado pelo indivóduo durante a sua representação.
Elemento fundamental:
O cenário – O onde ocorre a representação. Região geográfica ou localização espacial, contornos do ambiente ou do indivíduo da representação.
Tipos de fachadas
Fachada ambiente – Partes cênica dos equipamentos expressivos da representação social
Instituições ou lugares onde atuamos. Espaço cênico onde ocorre a ação. Geralmente configuram-se como lugares marcados por algum um tipo de organização coletiva ou pessoal promotora de identidades.
Fachada pessoal – Partes cênica dos equipamentos expressivos da representação individual
Aqueles que de modo mais íntimo identificamos com o próprio ator, e que naturalmente esperamos que o sigam onde quer que vá, tais como distintivos da função ou categoria, vestuário, sexo , idade e linguagem , expressões faciais, gestos corporais etc.
Caracteriza-se por:
Aparência – estímulos que funcionam no momento para nos revelar o status social do indivíduo, estado temporário de atividade, seja ela formal ou informal, de lazer, ciclo de vida etc. Ex. Crianças passeando com os pais após a saída da escola. Funcionários de fábricas ou empresas em ônibus, na rua, no shopping, jogadores e torcidas de futebol.
Maneira – os estímulos que funcionam no momento para nos informar sobre o papel de interação que o ator espera desempenhar na situação que se aproxima. Ex: Uma maneira arrogante, agressiva, pode dar impressão de que o ator espera ser a pessoa que iniciará a interação verbal e dirigirá o curso dela. Uma maneira humilde escusatória pode dar a impressão de que o ator espera seguir o comando de outros.
Caráter abstrato específico ou geral da fachada – por mais especializada que seja uma prática, sua fachada social, com algumas exceções tenderá a reivindicar fatos que podem ser igualmente reivindicados e defendidos por outras práticas ou algo diferente. Ex: Muitos serviços oferecem a seus clientes uma representação que é abrilhantada por impressionantes manifestações de asseio, modernidade, competência e integridade. Nesse caso o observador só precisa estar familiarizado com um pequeno vocabulário de fachada, de fácil manejo e saber como responder à elas a fim de se orientarem numa grande variedade de situações.
REALIZAÇÃO DRAMÁTICA
Em presença de outros, o indivíduo geralmente inclui em sua atividade sinais que acentuam e configuram fatos confirmatórios de sua intenção [...] Pois se a atividade dele tem de tornar-se significativa para os outros ele precisa mobilizá-la de modo tal que expresse, durante a interação, o que ele precisa transmitir. Ex. 01 Um juiz de futebol no intuito de dar a impressão de que está seguro de seu julgamento, tem de tomar uma decisão instantânea de modo que o público fique certo de que ele está seguro de seu julgamento. Ex. 02 O proprietário de um estabelecimento pode achar difícil dramatizar o que esta sendo feito realmente em favor dos clientes, porque estes não podem ver os custos gerais dos serviços que lhes é prestado. Muitos valorizam o aspecto da fachada e cobram preços mais altos. Ex. 03
O trabalho do radialista que tem que estudar o texto em suas inflexões, ritmo, linguagem afim de afirmar o conteúdo do que diz. O trabalho de Uma modelo da Vogue que, por seu traje, postura e expressão facial, é capaz de representar de maneira expressiva uma compreensão culta do livro que tem nas mãos. Contudo, o aluno que deseja mostrar-se muito atento, as vezes perde o conteúdo por preocupar-se em demasia com sua representação.
IDEALIZAÇÃO
Constitui um dos modos pelos quais uma representação é “socializada”, moldada e modificada para se ajustar à compreensão e às expectativas da sociedade em que é apresentada
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Se nunca tentássemos parecer um pouco melhores do que somos, como poderíamos melhorar ou educar-nos de fora para dentro? Esse mesmo impulso de mostrar ao mundo um aspecto melhor ou idealizado de nós mesmos... (Cooley, 1922)
Quando o indivíduo se apresenta diante dos outros seu desempenho tenderá a incorporar e exemplificar os valores oficialmente reconhecidos pela sociedade e até realmente mais do que o comportamento do indivíduo como um todo.
Uma representação pode exibir valore ideais que conferem ao ator uma posição inferior a que ele intimamente aceira para si.
Onde há efetiva competição acima dos níveis não-qualificados para empregos tidos como “de brancos”, alguns negros aceitarão espontaneamente símbolos de condição inferior, conquanto desempenhem um trabalho de nível mais elevado. Assim, um encarregado de expedição em um escritório aceitará o título e o salário de um mensageiro; uma enfermeira deixará que a chamem de doméstica, e a pedicura entrará nas casas dos brancos pela porta de serviço á noite. (Johnson, 1943)
O Indivíduo idealiza em representações quando escondem prazeres ou revelam esforços e informações com o intuito de impressionar e valorizar o produto da atuação.
REPRESENTAÇÃO FALSA, MANUTENÇÃO E CONTROLE EXPRESSIVO DA ATUAÇÃO
Como membros de uma platéia, é natural sentirmos qua impressão que o ator procura dar pode ser verdadeira ou falsa genuína, válida ou mentirosa. Frequntemente damos atenção aos apspectos da representação que não podem ser facilmente manejados, capacitando-nos assim a julgar a fidedignidade das mais deturpáveis deixa da representação.
O indivíduo aprender a controlar a expressão para não ultrapassar por excesso de fé cênica ou ausência dela durante a atuação sob o risco de ser desacreditado e passar por situações vexatórias.
O indivíduo pode passar pelo inconveniente de que a platéia pode não compreender os sinais ou o sentido que um indício devia transmitir ou emprestar um significado embaraçoso a gestos ou acontecimentos acidentais inadvertidos ou ocasionais que não pretendia dar qualquer significação.
MISTIFICAÇÃO
Se consideramos a percepção como uma forma de contato e participação, então o controle sobre o que é percebido é o mesmo que o controle sobre o contato feito e a limitação e regulação acerca do que é mostrado torna-se limitação e redução do contato.
Os assuntos em que o público não se mete, em respeito ao ator são, provavelmente, aqueles que ele se envergonharia se fossem revelados. Quando a platéia percebe por exemplo as artimanhas e técnicas que subjazem seus poderes e mistérios, o ator sente que seus principais segredos são insignificantes. Assim freqüentemente, o verdadeiro segredo por trás do mistério é que realmente não há mistérios. O problema real consiste em evitar que o público também aprenda isso.
REALIDADE E ARTIFÍCIOS
Diga-se que há muitos indivíduos que acreditam sinceramente que a definição da situação que habitualmente projetam é a verdadeira realidade [...] O público, de uma maneira geral, deve acreditar que os atores são sinceros [...] Mas o convencimento não passa, necessariamente, pelo aspecto de ser sincero ou insincero em sua sinceridade. Embora as pessoas sejam o que aparentam, as aparências pode ser manipuladas.
Uma representação honesta, sincera, séria, liga-se menos firmemente com o mundo real do que se poderia à primeira vista supor. Isto acontece porque o relacionamento social comum é montado tal como uma cena teatral, resultado da troca de ações, oposições e respostas conclusivas dramaticamente distendidas.
Quando o indivíduo passa a uma nova posição na sociedade e consegue um novo papel a desempenhar, provavelmente não será informado com todos os detalhes sobre o modo como deverá se conduzir, nem os fatos da nova situação o pressionarão suficientemente desde o início para determinar-lhe a conduta, sem que tenha posteriormente de refletir sobre ela.
Nessa circunstância o indivíduo já deverá ter uma idéia cara da aparência da modéstia, deferência e justa indignação e pode tomar a liberdade em representar de modo “compulsório”, baseado em modelos de atividades, como já está familiarizado.
O que parece se exigido do indivíduo é que aprenda um número suficiente de formas de expressão par ser capaz de “preencher” e dirigir qualquer tipo de papel que, provavelmente lhe seja dado.
REFERÊNCIAS
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GOFFMAN, Erving. A representação do Eu na Vida Cotidiana. Petropolis. RJ. Vozes, 2006.
LEIVAS, Claúdio Roberto Cogo . A teoria da representação cognitiva de Hobbes. Ciências & Cognição (UFRJ), v. 12, p. 4, 2007.
HALL, Stuat. Identidade cultura na pós-modernidade. Rio de Janeiro. DP&A, 2006.
SANTI, Helena, SANTI, V. Junior Stuart Hall e o Trabalho das Representações. Texto publicado na Revista Anagrama: Revista Científica Interdisciplinar da Graduação (ECA-USP)2008. Disponível em: http://www.usp.br/anagrama/Santi_Stuarthall.pdf Acessado em: 20/03/11
HERNÁNDEZ, Fernando. Para a Erina ninguém diz nada... E nós não podemos fazer o que queremos: A educação da cultura visual na educação infantil. In: MARTINS, Raimundo; TOURINHO, Irene (orgs). Cultura visual e infância: quando as imagens invadem a escola. Santa Maria: Ed. da UFSM, 2010. pp. 71-85.
COOLEY, C. H. (1902). Human nature and the social order. New York: Scribner. Disponível em http://www.archive.org/details/humannaturesocia00cooluoft
Acessado em 02/02/2011
MEAD, G. H. (1934). Mind, self and society from the standpoint of a social behaviorist.
Acessado em: 15/02/2011



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